Empresas portuguesas preparadas para o Euro

Um estudo da Comissão Nacional €uro indica que 85,3 por cento das empresas portuguesas já iniciaram o processo de preparação para a moeda única, um valor que subiu cinco por cento em relação aos valores do ano anterior e o aumento de quase 60 por cento comparativamente com os dados de 1998.

[PUBLICADO ORIGINALMENTE NA IDEIAS&NEGÓCIOS, A 31052001, ATRAVÉS DA ARQUIVO.PT]

Estes valores, bastante mais optimistas do que outros anteriormente conhecidos, merecem atenção por parte do secretário de Estado das PME. Nelson de Souza defende que "não devemos dar um crédito irresponsável aos estudos com valores positivos, nem entrar em pânico com estudos que se revelem mais pessimistas".

Entre as empresas que ainda não iniciaram a preparação para o Euro (14,7 por cento), 11,9 por cento afirmam que o pretendem fazer ainda antes do final do ano, enquanto 3,2 por cento dizem que só o farão quando for obrigatório. Das empresas que ainda não começaram a preparação, os números indicam que 72, 4 por cento tem informação sobre a nova moeda única, enquanto 27,6 por cento não tem informação nenhuma.

Para colmatar a dificuldade em obter informações e a campanha de sensibilização foram anunciadas, quarta-feira, três iniciativas do IAPMEI – Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e ao Investimento com vista ao aumento da divulgação e incentivo ao cumprimento dos projectos que permitam chegar a 1 de Janeiro próximo com os passos para o €uro todos dados.

Divulgação, informação e apoio
A primeira dessas acções chama-se «Vamos negociar em Euro». Esta projecto, dedicado sobretudo aos sectores de indústria, construção e turismo (indústria hoteleira), pretende encetar campanhas de sensibilização em feiras empresariais, com stands de promoção e animação para familiarizar as empresas com a moeda europeia, segundo revelou o presidente do IAPMEI, Rui Gonçalves Soares.

As duas outras acções terão um alvo de divulgação mais vasto. «Vendemos em Euro» será uma campanha junto dos estabelecimentos comerciais ou zonas comerciais, com espaços de divulgação, informação e animação. «À descoberta do euro» é a terceira acção de campanha, neste caso destinada aos cidadãos do interior do país. A ideia, sintetizada pelo director do IAPMEI, é de "fazer uma festa em pequenos agrupamentos populacionais, durante uma semana, por exemplo, para criar o interesse na nova moeda" e ao mesmo tempo dar a conhecer bem o calendário da entrada da moeda.

Estas acções terão o ponto forte entre Maio e Novembro. Duas entidades colaboram especificamente neste projecto, o Instituto de Financiamento e Apoio ao Turismo e a Comissão Nacional do Euro, sendo chamadas a colaborações específicas locais as associações empresariais. Num seminário realizada na Vila da Feira, Pedro Ferraz da Costa, Vasco da Gama e Atílio Forte, os presidentes da Confederação da Indústria Portuguesa, da Confederação de Comércio e Serviços de Portugal e Confederação do Turismo Português, respectivamente.

Máximo de divulgação
Rui Gonçalves Soares, secundando Consiglieri Pedroso, presidente da Comissão Nacional do Euro, pretende ainda ter a ajudá-lo "os técnicos de contas, que têm um papel fundamental de divulgação junto das empresas, e as autarquias, com um papel muito importante para apoiar as empresas dos seus concelhos".
Paralelamente continua a campanha de publicidade nos órgãos de comunicação social, tendo Carlos Cruz como a face mais visível. Esta aposta em publicidade encaixa com outros dados da sondagem, que indica ser, para 60,5 por cento dos inquiridos, a televisão como um dos meios mais adequados para obter informação sobre o Euro. A esta pergunta de resposta múltipla, os inquiridos defenderam, em segundo lugar, a publicidade na imprensa escrita, seguido de mailing directo, internet, seminários e rádio, ficando para o fim bancos e associações empresariais.
Entre as principais fontes de informação a utilizar e consultar, os inquiridos respondem, contudo, em primeiro lugar, os bancos, os contabilistas e as associações empresariais e as câmaras municipais.

Ficha Técnica
O estudo foi realizado numa base de 58.345 empresas e os dados comparativos com o estudo de 1998 apontam para, então, uma base de 55.883 empresas. No estudo actual, 50.2 por cento da empresas tinham em funções entre 5 e 9 funcionários, 25.7 por cento entre 10 e 19 e as restantes acima deste número, sendo que com mais de 199 pessoas ao serviço significam 1.3 por cento da base do estudo. De entre os sectores de actividade, 39.9 por cento pertencem à indústria transformadora, segue-se o comércio por grosso e a retalho, representando respectivamente 18.1 e 15.5 por cento da totalidade do estudo, os restantes sectores (transporte/armazenagem e comunicações, alojamento e restauração, comércio grosso e retalho de veículos e combustível e indústria extractiva) representam o valor restante. Por localização, 24.2 por cento das empresas encontram-se em Lisboa, 22.5 por cento no Litoral Norte, 14.3 por cento no Interior Norte, 13.9 por cento no Litoral Centro, as restantes são da Madeira, Açores, Sul e Grande Porto.

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