Zapatero não descola de Rajoy

A duas semanas das eleições gerais em Espanha, as sondagens ainda mostram que os dois principais partidos se encontram muito perto um do outro. Ontem, os jornais Público, El Pais e ABC traziam novos dados sobre as intenções de voto que indicam uma nova subida dos socialistas mas ainda com os conservadores do PP muito perto. Segundo os dois jornais colocados mais à esquerda, o PSOE aumentou a diferença para cerca de quatro por cento, enquanto pelo que contabilza o ABC essa distância encurtou duas décimas mas 2,8 por cento.

[Publicado originalmente em O Primeiro de Janeiro a 25.02.2008]

Se as eleições se realizassem hoje, segundo o estudo da empresa Metroscopia para o El Pais, os socialistas venceriam com 42,3 por cento dos votos e o PP ficaria pelos 38,6 por cento. A sondagem, realizada sexta-feira, a partir de 600 entrevistas telefónicas, destaca que o índice que avalia a vontade de ir às urnas também sobe desde a última sondagem realizada, passando do patamar de entre os 70%-72% para o 73-74% de participação.
A sondagem da Publiscopio para o jornal Público dá ao PSOE uma indicação de voto nos 44 por cento face aos 40 por cento do Partido Popular, e indica uma ligeira recuperação da Esquerda Unida, que estava muito em baixo nas sondagens anteriores. A sondagem, realizada a partir de 1.812 entrevistas realizadas em 260 municipios espanhóis indica que à medida que a campanhã avança, José Luis Rodríguez Zapatero vai aumentando os seus eleitores definitivos e aumenta também a ideia de que haverá um segundo mandato.
A sondagem que o Instituto Dym fez para o ABC (jornal conservador de direita) indica que os socialistas perdem vantagem em duas décimas face à sondagem realizada para o mesmo jornal na semana anterior, passando de 42,2 al 42 por cento da indicação de voto, enquanto os populares se mantinham na faixa dos 39,2 dos inquiridos. Nesta sondagem faz-se ainda a indicação de quem é o candidato mais valorizado pelos eleitores, que continua a ser o presidente do governo. Zapatero tem 5,4 pontos, enquanto Rajoy tem 4,1 pontos.
“O” frente-a-frente é hoje
A sondagem do El Pais aponta ainda outro número interessante: 80 por cento dos inquiridos entende que o debate de hoje entre os candidatos dos dois maiores partidos, Rajoy e Zapatero, não vai mudar o sentido de voto dos eleitores. Cerca de 45 por cento acredita que quem vencerá o debate será Zapatero, e apenas 17 por cento apostam em Rajoy.
Dos debates conhecidos entre os dois líderes, nas Cortes (o parlamento espanhol), o socialista tem levado quase sempre a vantagem. José Luis Rodríguez Zapatero, um produto do aparelho partidário socialista, conseguiu criar um discurso adequado à imagem e uma imagem adequado ao seu pensamento, o que lhe permite sair bem dos confrontos políticos. Ainda antes de ser presidente do governo, conseguiu suplantar José María Aznar nesses frente-a-frente perante os deputados.
O de hoje, que ocorrerá em local neutro, a Academia de Televisão, estará disponível para ser transmitido por todas as televisões (em sinal aberto ou cabo) assim como também pela internet. E será o regresso deste modelo, depois de há quatro anos, Mariano Rajoy, então o número dois do governo e candidato a primeiro-ministro, se ter recusado a fazer debates com o então ascendente líder da oposição e conhecido tribuno Zapatero. “Estes debates só existem quando o PP está na oposição” ironizava na semana passada Felipe González, em entrevista à Cadena Ser, recordando que perdeu o debate anterior, quando primeiro-ministro se defrontou com o jovem líder da oposição José María Aznar, há já doze anos.
O voto fixo e o gosto pelo debate político
O blogue do director do jornal gratuito 20 Minutos fazia notícia de uma curiosidade do seu site: Em nenhum momento, as entrevistas aos principais candidatos a presidente do Governo de Espanha nas eleições do próximo dia 9 de Março – e cuja campanha eleitoral começou este fim de semana – estiveram entre as peças mais vistas no site. As conversas com Mariano Rajoy e com Rodriguez Zapatero nunca estiveram nos vinte primeiros do site, contudo, estão no top dos comentários. Esta curiosidade mostra até que ponto estas eleições interessam aos espanhóis: uma boa parte do país não está interessado, mas os que estão não se limitam a ser espectadores, querem participar no debate e na campanha.
Para chamar mais gente às mesas de voto, o PSOE começou por fazer um anúncio de campanha que começou a ser mostrado na passada sexta-feira – início oficial da campanha eleitoral – a pedir aos espanhóis que votem, “nem que seja no PP”. O lema “Vota con todas tus fuerzas” pretende diminuir ao máximo o número de abstencionistas, conforme refere José Blanco, secretário-geral do partido, no site oficial. “O PP tem todas as suas esperanças na abstenção”, afirmou, embora as últimas sondagens indiquem que a diferença entre os dois partidos estavam, no final da semana passada, em cerca de dois por cento. “Cada cidadão que fique em casa” representa “um voto a favor dos interesses do PP”, prosseguiu o porta-voz do PSOE.
José Blanco não afirmou contudo a realidade por detrás das eleições para as Cortes, e deste início de campanha. O PSOE tem um voto muito mais volátil do que o PP. Os votos que fizeram quer as vitórias quer as derrotas do Partido Popular rondam os dez milhões – mais de 9,6 milhões há quatro anos, 10,3 milhões na vitória de 2000 (uma diferença de apenas 600 mil eleitores). Por seu turno, os votos do PSOE têm muito maior oscilação: a vitória das últimas Legislativas, há quatro anos, contabilizou mais de onze milhões de votos; a derrota nas eleições de há oito anos foi com 7,9 milhões de votos (uma diferenças de mais de três milhões de votos). Por isso, não é de estranhar este pedido do voto “nem que seja em Rajoy.
A um mês da ida às urnas, ainda muitos estão indecisos quanto ao seu sentido de voto, e muitos outros não sabem sequer se vão votar. Na Catalunha, por exemplo, segundo dados do Centro de Estudios de Opinión da Generalitat, apenas 59 por cento dos eleitores tinham já decidido votar nas próximas eleições, o que pode indicar um aumento da abstenção no território que elege directamente mais deputados para as Cortes de Madrid, meia centena, à frente das comunidades de Madrid e Andaluzia. A sondagem indica também que o estudado Índice de Satisfação Política está ao nível mais baixo desde que começou a ser medido, em Junho de 2005. 63,4 por cento dos espanhóis estão insatisfeitos com a política.
O secretário-geral do PSOE põe tudo preto no branco: “A questão nestas eleições é se decidem uns poucos ou muitos”; “O PP quer que decidam uns poucos para devolver-nos ao passado”.
Não é uma campanha para velhos
Nos próximos 15 dias, os candidatos percorrerão todas as espanhas, com incidência natural na Catalunha, nos locais onde se elegem mais deputados e, também, nos locais onde é necessário reforçar as bases de eleição. Rajoy percorrerá ao longo desta campanha 12.500 kilómetros, 12 comunidades autonómas e 22 distritos; Zapatero deverá percorrer cerca de 13.547 quilómetros nos próximos 15 dias, para participar em 15 comícios de 15 distritos.

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