Patxi Andión em entrevista, em Março de 2000

Patxi Andión tinha estado muitos anos fora dos palcos e fora dos discos (embora tivesse um em preparação), longe iam os tempos em que enchia estádios, em que as suas canções motivavam peitos desabridos preparados para a luta e corações moles preparados para amar na contrariedade. Era professor e queria permanecer assim, até à reforma. Por isso, e só por isso, acedeu a dar um concerto no Porto, em 2000. Porque era para o encerramento do V Congresso dos Professores do Norte. Professores como ele. Maestros, como a canção.

Desde miúdo que conhecia as canções de Patxi. Desde miúdo que as cantava de cor, porque as ouvia em casa e porque se mantiveram ao longo da juventude, a par de todas as outras canções, temas, rifes, sons e três-acordes que tinha ouvido entretanto e me tinham dado uma cultura musical diversificada. Foi, também, por isso que adorei a conversa com ele, no Hotel Infante D. Henrique. Lá para o meio, pergunto-lhe onde anda a música de intervenção tão desaparecida parecia estar e o que ouvia ele. A música (o tipo de música) é a casca da fruta, o que é importante é o que está dentro e as sementes, respondeu-me, dizendo que gostava do velho António dos Santos (que ainda hoje desconheço quem seja), os Madredeus ou a Mísia. Ou o Manu Chao: "é um tipo que anda aí à procura da essência da música".

E falou também de política. Da maioria do PP de Aznar, de como a ideologia tinha desaparecido da política e de como tudo era pragmatismo. Também de como a Esquerda não tinha sabido falar às pessoas. E de como a sociedade tinha mudado, desde que nos Anos 1970 se tornou uma referência dos cantautores, nomeadamente na península.

Agora regressou ao Portugal que ele ama. E lembrei-me de colocar aqui a entrevista e a crónica do concerto que escrevi na altura, Março de 2000.



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