Velhos dos Marretas
Agora, há um novo programa na Grécia. Um acordo que o FMI, os líderes europeus e o governo grego sabem que não se pode cumprir. Os velhos dos Marretas riem.
PUBLICADO ORIGINALMENTE NO PORTO24,21 Jul 2015 RECUPERADO VIA ARQUIVO.PT
Quando começou a crise de liquidez na Grécia, após o anúncio de referendo pelo primeiro-ministro Tsipras, os media internacionais mostraram à exaustão as filas de espera nos multibancos de Atenas, como se o problema fosse os cidadãos só poderem levantar 60 euros por dia. A mensagem era outra: cuidado com os referendos, os referendos levam a filas no multibanco. E os velhos dos Marretas riem. O problema grego vale milhões de vezes mais do que os 60 euros que cada grego com conta bancária pode levantar por dia no Multibanco.
Nos dias seguintes, a famosa fotografia tirada no Porto da fila para a recolha de alimentos, em frente à Cadeia da Relação, que havia sido tornada viral em 2013, chega à Grécia e a reportagem do “Jornal de Negócios” é confrontada com a mesma ao perguntar a um entrevistado como reage às filas nos multibancos. A mensagem era simples: As políticas que nos querem impor levam a filas para bancos alimentares. E os velhos dos Marretas riem. A maioria dos portugueses não conseguiria levantar do banco 60 euros por dia durante uma semana.
Esta quarta-feira, ao passear pelo Centro Histórico, perto da Cadeia da Relação, o primeiro-ministro português declara um “combate sem tréguas” às desigualdades, uma “refocagem em programas que não sejam apenas de resposta de emergência”. E os velhos dos Marretas riem. Em 2011, Passos Coelho declarou que os cortes na despesa do Estado passariam sobretudo pelos “custos intermédios” e defendeu um programa que sabia que não podia cumprir.
Agora, há um novo programa na Grécia. Um acordo que o FMI, os líderes europeus e o governo grego sabem que não se pode cumprir. Os velhos dos Marretas riem. Em Portugal, o primeiro-ministro e o líder da oposição reclamam para si ou para o seu grupo político um papel determinante nesse acordo, que ninguém acredita que possa ser cumprido. E os velhos dos Marretas caiem do balcão, rindo às gargalhadas. E nós, no galinheiro do teatro, assistindo à tragédia, caímos com eles.
PUBLICADO ORIGINALMENTE NO PORTO24,21 Jul 2015 RECUPERADO VIA ARQUIVO.PT
Quando começou a crise de liquidez na Grécia, após o anúncio de referendo pelo primeiro-ministro Tsipras, os media internacionais mostraram à exaustão as filas de espera nos multibancos de Atenas, como se o problema fosse os cidadãos só poderem levantar 60 euros por dia. A mensagem era outra: cuidado com os referendos, os referendos levam a filas no multibanco. E os velhos dos Marretas riem. O problema grego vale milhões de vezes mais do que os 60 euros que cada grego com conta bancária pode levantar por dia no Multibanco.
Nos dias seguintes, a famosa fotografia tirada no Porto da fila para a recolha de alimentos, em frente à Cadeia da Relação, que havia sido tornada viral em 2013, chega à Grécia e a reportagem do “Jornal de Negócios” é confrontada com a mesma ao perguntar a um entrevistado como reage às filas nos multibancos. A mensagem era simples: As políticas que nos querem impor levam a filas para bancos alimentares. E os velhos dos Marretas riem. A maioria dos portugueses não conseguiria levantar do banco 60 euros por dia durante uma semana.
Esta quarta-feira, ao passear pelo Centro Histórico, perto da Cadeia da Relação, o primeiro-ministro português declara um “combate sem tréguas” às desigualdades, uma “refocagem em programas que não sejam apenas de resposta de emergência”. E os velhos dos Marretas riem. Em 2011, Passos Coelho declarou que os cortes na despesa do Estado passariam sobretudo pelos “custos intermédios” e defendeu um programa que sabia que não podia cumprir.
Agora, há um novo programa na Grécia. Um acordo que o FMI, os líderes europeus e o governo grego sabem que não se pode cumprir. Os velhos dos Marretas riem. Em Portugal, o primeiro-ministro e o líder da oposição reclamam para si ou para o seu grupo político um papel determinante nesse acordo, que ninguém acredita que possa ser cumprido. E os velhos dos Marretas caiem do balcão, rindo às gargalhadas. E nós, no galinheiro do teatro, assistindo à tragédia, caímos com eles.
