Portuguese Coffee – Veludo líquido

A marca institucional Portuguese Coffee mostra ao mundo a excelência da produção nacional. Com o slogan “Uma mistura de histórias”, o famoso grão conquista fronteiras e mostra o modo único de consumi-lo em Portugal.

[PUBLICADO ORIGINALMENTE NA REVISTA UP, EM JANEIRO DE 2017]

O conceito “ir tomar café” é talvez a forma mais reconhecida de encontro social no dia a dia dos portugueses, da mesma maneira ou até talvez mais do que os britânicos se convidam para uma pint ou os de língua espanhola combinam “ir de copas”. Em Portugal, o café encaixa-se de tal forma no quotidiano que a pausa da manhã é conhecida como a “pausa para café”, que o almoço ou o jantar nunca estão completos sem um café e que os encontros, seja um passeio, uma calma conversa, um jantar ou até uma noite num bar ou discoteca combinam-se muitas vezes com um “Vamos tomar um cafezinho?”. Sendo que em qualquer desses encontros sociais o café expresso, tipicamente português, está sempre presente.

Mas o que é exatamente o “café português”?
A Associação Industrial e Comercial do Café (AICC), que representa o sector em Portugal, explica que é a bebida obtida numa máquina tradicional expresso, com a quantidade habitual noutros países (entre 35 e 5 mililitros) mas feita “a partir de um blend de café torrado”, onde se destaca o creme de superfície com cor de avelã, denso e persistente. No que respeita aos sentidos, “é uma bebida aveludada, com corpo acentuado e bem equilibrada. Caracteriza-se por uma enorme complexidade aromática, por uma suave acidez, por um notável balanço de sabores e por um final de boca agradável e persistente”, especifica a AICC. Portanto, duas diferenças marcam-no claramente: a mistura (blend) de cafés planta Arábica e Robusta (com preponderância destas) e a duração da torrefação, que acabam por resultar no sabor diferenciado.

O reconhecimento das particularidades do café português não é de agora, muito menos para as pessoas que melhor conhecem o sector e cujas marcas, reunidas na AICC, representam cerca de 95 por cento do produto consumido no mercado nacional. Contudo, a ideia de criar a marca institucional Portuguese Coffee, para promover a identificação, conforme refere a secretária-geral da AICC, Cláudia Pimentel, surgiu apenas em 2014. O processo que se iniciou então reuniu nove dos produtores de café que se encontram na associação (e, em Fevereiro de 2016, foi criado, a par da marca, o Selo de Validação das características do café expresso português. Os produtores comercializam sob estes nomes: Bogani, Buondi, Caffècel, A Caféeira, Christina, Delta, Negrita, Novo Dia, Nutricafés, Paraíso do Liz, Portela, Sanzala, Sical, Tofa, Torrié.

“Com esta iniciativa inédita estamos a possibilitar ao consumidor a facilidade de reconhecimento deste tipo de café. Por outro lado, nos mercados externos, será sempre uma forma de conhecerem também a tradição portuguesa e desta forma poderem depois pedir o nosso café nos seus países de origem, facilitando a decisão de compra”, explicou na ocasião Rui Miguel Nabeiro, presidente da associação. O projeto foi determinado pela necessidade sentida pelo sector de haver um elemento aglutinador da indústria que permitisse a diferenciação do café expresso português em detrimento de expressos de outras origens e, para as empresas exportadoras, o selo “permite evidenciar uma garantia deste café, asseguradas por entidade independente, contribuindo assim para a aceleração da competitividade das empresas nacionais no exterior”.

Saborear o Web Summit

O foco no exterior é evidente, tendo em conta a transversalidade do consumo de café expresso português. Mas, tendo em conta o boom turístico que vive o país, parte das ações de promoção da marca Portuguese Coffee – com a assinatura “A blend of stories” – passa também por cá, precisamente nos locais onde há maior concentração de visitantes. Ainda em novembro passado a marca deu-se a mostrar, e a provar, no Lisbon Web Summit. Tendo em conta a profusão de participantes das mais diversas proveniências, “a maioria dos estrangeiros gostou muito do café português”. “Tivemos muito sucesso e muito, muito trabalho!”, revela Cláudia Pimentel.

O primeiro passo na internacionalização da marca já tinha acontecido em outubro, em Paris, naquela que é considerada a maior feira mundial na área da alimentação, a SIAL. “Uma vez que é uma feira de âmbito mundial que abarca todas os mercados, desde os asiáticos aos do Magrebe, e todos os europeus, seria a prova de fogo, e foi superada”, diz Cláudia. “Muita gente não sabia que havia um café português e perguntam-nos quais as características da marca Portuguese Coffee.”

Os passos seguintes passam pela divulgação online, melhorando o site e entrando nas redes sociais, contactando distribuidores e aprofundando a parceria com a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, que permite à marca entrar nos mercados locais de outros países.

Uma mistura de história

O trabalho da associação é mais generalista, trabalhando a marca, ficando para as empresas exportadoras fazer a respetiva parte de divulgação e implementação da Portuguese Coffee junto dos mercados em que já trabalham, das feiras que já frequentam e através dos canais de distribuição que já conhecem. E “a exportação depende naturalmente dos mercados, pois os lotes são adaptados país a país, distribuidor a distribuidor”. Porém, refere Cláudia, “havendo um crescimento mundial do consumo do café expresso, é natural que as marcas trabalhem mais estes lotes, e tentem vender esta marca”. Embora internacionalmente ainda se beba mais café de filtro, aquele crescimento tornou-se evidente em 2014, quando avançaram para a criação da marca. “Não pretendíamos promover um produto para o qual os mercados estrangeiros não estavam despertos. O café expresso era um produto pouco apreciado lá fora e, agora que está a ter algum crescimento, justifica-se aparecer esta campanha e este produto.”

“A inclusão desde selo também permite ao consumidor divulgar a especificidade e identidade histórica do nosso café”, refere a secretária-geral da AICC. E esta ligação histórica advém de os Descobrimentos Portugueses estarem diretamente relacionados com a disseminação da cultura do café pelo mundo. É por isso que o slogan “’blend of stories’ tem vários sentidos”. “Blend” no sentido em que o expresso português mistura Robusta e Arábica, “blend” também pelo sentido social que o café tem em Portugal. “É uma história recente do café muito cultural, emocional e de convívio, que é diferente da das pessoas fora de Portugal, onde a maioria toma o café em casa ou o bebe a caminhar pela rua, ou sozinha… Nós bebemos café socialmente, temos uma cultura por detrás do café, do tomar café.” E, lá está, há a parte histórica, de como o comércio do café pelos portugueses uniu continentes: África, Ásia e América. Para onde agora se pretende levar um outro, o Portuguese Coffee.

EXPRESSO

O espresso, que em português se escreve com “x”, expresso, é o mais normal em Portugal. Na parte sul do país é chamado de “bica” (em referência ao pequeno tubo por onde saía da máquina de café de filtro), e na região do Porto ainda há quem peça um “cimbalino”, porque dominavam nos estabelecimentos as máquinas da marca La Cimbali. Para além da medida simples do expresso, há muitas variantes. O “café curto” é popular: é um shot com pouco mais de um centímetro de altura. Para mais forte, há o “duplo”, que são dois “cafés curtos” na mesma chávena. Se se pretende um mais fraco: pode pedir-se um “café cheio” – a mesma quantidade de café mas diluída em mais água; um “abatanado” (termo do sul) ou “sem ponta” (termo do norte), que é uma dose normal completada com água até ao bordo e/ou sem aproveitar as primeiras gotas saídas da máquina; ou um “carioca”, reutilizando o pó de café anteriormente utilizado para um café normal. Há ainda os cafés que se bebem com leite. Dependendo do tamanho da chávena e da quantidade de leite, pode ser um “galão” (mais leite que café), uma “meia de leite” (chávena grande com metades iguais de leite e café) ou um “garoto” (sul) ou “pingo” (norte), que é em chávena normal de expresso mas com mais leite que café. Este último pode ainda ter uma variante, o “pingado”, um café com uma ponta de leite.


NÚMEROS

Exportação 2015

11.800 toneladas

63 milhões de euros

Consumo português

80%

da população bebe café por dia

2,5

expressos por dia

4,73 kg

de café por ano

Fontes / sources: ChartsBin, European Coffe Organization, AICC

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